22/10/2013
Começa na próxima sexta-feira, dia 25 de outubro, o prazo
de inscrição para o Processo Seletivo Simplificado do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para selecionar
profissionais de nível superior para desempenhar atividades técnicas
especializadas. Para se inscrever, o candidato deverá acessar o site do
Instituto Americano de Desenvolvimento (IADES) - http://www.iades.com.br -
no período entre 8h do dia 25 de outubro e 22h de 18 de novembro. A
taxa de inscrição é de R$ 70 para as áreas de atuação de nível superior
nas áreas de Logística, Convênios e Contratos e de R$ 66 para as áreas
de Arqueologia, Arquitetura ou Engenharia Civil. A data provável da
prova é 15 de dezembro.
São, 31 vagas para a área de Logística, convênios e contratos, 80 para Arqueologia e 52 para profissionais de Arquitetura ou Engenharia Civil, incluindo, entre elas, as vagas destinadas a pessoas com necessidades especiais. A remuneração é de R$ 6.130,00 para a área de Logística, convênios e contratos e R$ 8.300,00 para os outros cargos. As provas objetivas – eliminatórias e classificatórias – terão 50 questões distribuídas entre conhecimentos básicos (Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico Quantitativo, Informática Básica, Direito Constitucional, Direito Administrativo e Administração Pública) e conhecimentos específicos (Conceitos e Legislação aplicada ao Patrimônio Cultural e Conhecimentos Específicos da Área de Atuação). Os candidatos também passaram por avaliação curricular, de caráter exclusivamente classificatório, valendo no máximo 10 pontos. A portaria autorizando a contratação dos 163 profissionais, por tempo determinado, para atender necessidade temporária de excepcional interesse público, foi publicada no Diário Oficial da União no dia 29 de agosto. Os selecionados vão desempenhar atividades no âmbito do IPHAN, devido ao aumento transitório do volume de trabalho em função das ações que serão realizadas pelo PAC Cidades Históricas. Confira a íntegra do Edital clicando [aqui] Fonte: Ascom IPHAN Site: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?retorno=detalheNoticia&sigla=Noticia&id=18058 | |
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
IPHAN lança edital para concurso temporário
terça-feira, 15 de outubro de 2013
IPHAN premiará trabalhos acadêmicos voltados à preservação arqueológica brasileira
Os trabalhos deverão ser entregues no CNA ou enviados por Correio (por correspondência registrada com Aviso de Recebimento-AR) até às 18 horas do dia 11 de outubro de 2013. O carimbo de postagem do Correio será considerado como comprovante de remessa no prazo. A inscrição será efetivada mediante a apresentação do trabalho e a aceitação por parte do autor concorrente, das disposições que regulam o Concurso. A ficha de inscrição já está disponível no site do IPHAN (www.iphan.gov.br).
Os trabalhos vencedores poderão ser indicados, citados, descritos, transcritos ou utilizados pelo IPHAN, total ou parcialmente, em expedientes, publicações – internas ou externas – cartazes ou quaisquer outros meios de promoção e divulgação do patrimônio arqueológico, incluindo os devidos créditos. Os vencedores serão anunciados no dia 05 de dezembro de 2013.
Outras informações poderão ser obtidas junto ao CNA/IPHANpelo telefone (61) 20246300 ou pelo e-mail premio.cna@iphan.gov.br. O CNA/IPHAN fica na SEPS 713/913, Lote D, 3º Andar, Brasília
-Distrito Federal – CEP: 70.390-135.
Confira o edital do Concurso no portal do Iphan: www.iphan.gov.br
fonte: ASCOM
Link: http://iphanparana.wordpress.com/2013/09/10/iphan-premiara-trabalhos-academicos-voltados-a-preservacao-arqueologica-brasileira/
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Mídia internacional destaca o trabalho de escavações no Acre
Os jornais eletrônicos Sol de Pando (Bolívia), Thearenews (Estados Unidos) e El Universo (Equador) deram destaque no inicio dessa semana para os trabalhos de escavações realizados no Acre.
Os estudos liderados pelo arqueólogo finlandês Martti Parssinen encontraram em solo acreano mais de 300 artefatos de cerâmica de antigas civilizações bem como restos de civilização que caracterizam que existiram habitantes nas áreas de concentração de geoglifos no vale do Alto Acre.
De acordo com os jornais, os arqueólogos encontraram no Brasil estruturas comparáveis às grandes construções egípcias e explicaram que as pessoas que construíram essas estruturas dedicaram muito tempo e energia.
Nas proximidades dos geoglifos, os pesquisadores fizeram teste de radiocarbono o que possibilitou na execução dos estudos. Os geoglifos foram descobertos no Acre depois da intensa exploração madeireira.
As escavações no Acre também foram destaques em revistas especializadas na área da ciência e arqueologia.
Quem tiver mais interesse recomendo que chequem esse site:
http://www.geoglifos.com.br/imprensa.html
Link:http://www.ac24horas.com/2013/10/02/midia-internacional-destaca-o-trabalho-de-escavacoes-no-acre/
domingo, 6 de outubro de 2013
Quem é o homem por trás da pedra?
![]() |
| Cortesia João Carlos Moreno de Souza |
Olá leitores do
Para Arkeólogos. Como de costume trago mais uma entrevista sobre questões que
achamos interessantes ou aquela questão que sempre quiséssemos perguntar e
nunca achávamos respostas, ou pensávamos ser difícil a discussão e literalmente
dessa vez colocamos o nosso entrevistado na “fogueira”. Porém como sempre
tentamos trazer informações pertinentes e de forma clara a todos e não saímos
por ai escolhendo qualquer um e em minha opinião ele se saiu muito bem. Creio
que esse seja um conhecido de alguns de vocês. Espero que gostem.
Você
poderia se identificar, dizer de onde você é, onde estudou e seu passado?
Meu nome é João Carlos Moreno de Sousa (JuCa). De onde eu sou? Nem sei. Posso falar do meu passado. Nasci em Bogotá, na Colômbia, Mas não me considero de lá. Vim ainda bebê para o Brasil e aqui fui criado. Até os sete anos de idade vivia me mudando com a família de cidade em cidade no interior de São Paulo, passando um tempo no interior de Goiás. Quando foi tempo de eu entrar na escola minha família se estabilizou no interior do Mato-Grosso. Passei 10 anos lá, mas nunca gostei da cidade e nunca consegui me encaixar socialmente. Não me considero sendo de lá também. Quando fiz meus 18 anos, na mesma semana, fui embora pra Goiânia, em busca do sonho de me tornar um arqueólogo. E foi lá que passei os melhores quatro anos da minha vida. Apesar de ter sido pouco tempo, a cidade me acolheu como nenhum outro lugar. Se fosse pra eu considerar algum lugar como minha terra, eu gostaria de dizer que é Goiânia. Depois de terminar a graduação vim direto fazer o mestrado em São Paulo. Nunca gostei muito da cidade, mas fiz algumas amizades incríveis aqui. Fato é que mesmo tendo aprendido um pouco da cultura de cada lugar que vivi não me adaptei a lugar algum. Adoro Goiânia, e desde o ano passado Aracajú também me acolheu muito bem. Tenho passado muito tempo em Sergipe esse ano. De onde eu sou? Não sei... Sou um brasileiro que nasceu na Colômbia, vive viajando pelo Brasil desde o extremo sul ao extremo norte do país, que não tem sotaque de lugar nenhum, e tem cara de tupiniquim andino.
Onde estudei, bom...
Ensino fundamental eu fiz num colégio particular (onde eu sofria aquilo que chamam de bullying, mas na época isso era frescura de criancinha “pobre”, cdf e chorona). Meus pais faziam o que podiam pra poder sustentar meu ensino numa escola daquelas, mesmo que a gente precisasse morar de favor no hangar de um aeroporto que fedia a veneno de avião agrícola, onde meu pai trabalhava.
O ensino médio foi numa escola freiras (urgh!). Mas na época era realmente o melhor colégio. Foi minha época de adolescente rebelde. Mas sempre bem careta (até hoje). Mas sempre com alguma implicância da freira diretora comigo.
Minha graduação foi em Arqueologia propriamente dita. Na época só haviam duas graduações em Arqueologia no Brasil. O mais antigo, que é o da Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF), em São Raimundo Nonato (Piauí); e o de Goiânia, que era bem mais perto de onde eu morava, no Mato-Grosso. Entrei no curso em 2007 e defendi minha monografia no final de 2010. O curso em questão é do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA), Universidade Católica de Goiás (UCG) que no decorrer da minha graduação ganhou o titulo de Pontifícia (PUC GO). Virei um filho da puc. Minha experiência lá foi ótima.
Em 2011 entrei no mestrado do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade de São Paulo (USP). Apesar de o mestrado ser pelo MAE, eu faço uma parte da minha pesquisa em outro departamento da USP, no Instituto de Biociências (IB). Mais especificamente no Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos (LEEH), coordenado pelo Dr. Walter Neves. Parte da pesquisa também tem sido realizada no Rio Grande do Sul: no Instituto Anchietano de Pesquisas (IAP) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), na cidade de São Leopoldo; e no Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul, na cidade de Taquara. Defendo ainda este ano.
O doutorado já está sendo encaminhado pra ter início ano que vem, na Inglaterra, mas trabalhando com arqueologia brasileira, é claro.
Gostaria
que você pudesse nos falar brevemente o quê é um lítico e como nos ajuda na
pesquisa arqueológica?
Lítico, basicamente, é como chamamos qualquer vestígio arqueológico de propriedade rochosa ou mineral.
Como ele nos ajuda na pesquisa arqueológica? A resposta é bem simples, mas não é curta.
Os
vestígios líticos tem sua importância baseada em dois pontos principais:
1.
É um dos poucos (senão único) tipos de
vestígio arqueológico, pré-histórico, no qual é possível analisar, diretamente,
todas as etapas de aquisição, produção e utilização de um artefato. Diferente da maioria dos artefatos
arqueológicos, que são produzidos por técnicas como polimento, modelagem,
gravura, pintura etc, a maioria dos artefatos líticos encontrados nos sítios
arqueológicos são produzidos por etapas de lascamento. Estas etapas de
lascamento produzem resíduos! Outros modos de produção de artefatos não deixam
resíduos. É possível analisar os resíduos de lascamento e estudar todas estas
etapas de produção. Esta é a única forma de compreendemos minuciosamente a
tecnologia utilizada pela humanidade nos últimos 2 milhões de anos.
2.
É o vestígio arqueológico que melhor
se preserva em qualquer ambiente!
Artefatos de osso e de madeira raramente se preservam. Esqueletos raramente se
preservam por muito tempo, e as chances de se fossilizar são muito baixas (no
Brasil mesmo quase impossível pelas condições ambientais). Pinturas rupestres
são facilmente degradadas em certos ambientes. Mesmo as gravuras rupestres
sofrem isso. Artefatos cerâmicos, apesar da grande fragilidade (e por isso
geralmente os encontramos apenas estraçalhados), tem se preservado muito bem.
Mas a cerâmica é uma invenção relativamente recente da humanidade, surgindo a
mais ou menos 10 mil anos atrás. No Brasil então não há registros mais antigos
do que 4 mil anos. Parece muito, mas a nossa espécie já se faz presente no
mundo há mais de 150 mil anos, e a humanidade de forma geral há mais 2 milhões
de anos. E desde então produzindo artefatos líticos sem parar, sendo estes os
únicos vestígios que se preservaram tão bem.
Fato é que mais de 90% da pré-história humana é baseada nos estudos das indústrias líticas. Tanto pela qualidade de preservação, quanto pela possibilidade de se analisar toda a história de vida de um artefato lítico.
Se isso não é de ajuda pra arqueologia, então não sei o que é... Infelizmente, no Brasil, muitos arqueólogos ainda subestimam o poder que os vestígios líticos tem para fornecer informações a respeito da humanidade.
| ||
| Cortesia João Carlos Moreno de Souza |
Por
que estudar lítico já que na Arqueologia há tantos outros vieses para se
pesquisar?
Dada a minha resposta anterior, eu é que pergunto: Por que não estudar o lítico? Todos os “vieses” são importantes para a arqueologia. Todos os tipos de vestígio arqueológico devem ser minuciosamente analisados. Todos fornecem informações relevantes.
Uma
vez em aula ouvi que boa parte dos estudos sobre a pré-história brasileira se
deu através da cerâmica, pois o material lítico, ao menos aqui no Brasil, não
era tão interessante para se estabelecer parâmetros culturais de análise como
tradições (clique aqui para saber mais sobre tradições na Arqueologia), por
exemplo. Isso é verdade? Caso seja, algo mudou nesta perspectiva?
A pessoa que disse isso provavelmente não tem formação completa em arqueologia. Como eu já disse, mais de 90% da pré-história humana é baseada APENAS nas indústrias líticas, por falta de demais vestígios tão bem preservados. A cerâmica tem servido como diagnóstico para se estabelecer “tradições” arqueológicas no Brasil para os últimos 4 mil anos apenas.
Os estudos em tecnologia cerâmica no Brasil ainda não tem ganhado a devida amplitude, infelizmente. A maioria das análises tem se fechado numa análise de volumes formas dos vasos inteiros, e nas decorações (quando existem). Estas características têm sido utilizadas para classificar tipologias cerâmicas enquanto supostas tradições – que infelizmente alguns arqueólogos tendem a confundir com diferentes sociedades e/ou etnias. Estudos sobre as técnicas de produção de artefatos cerâmicos (tipos de queima, resíduos vegetais e minerais misturados à argila, e até mesmo as diferentes formas de modelagem) ainda estão ganhando força na arqueologia brasileira.
O mesmo acontece para os estudos de indústrias líticas. A tecnologia lítica tem tomado mais amplitude no Brasil apenas na última década. E, portanto, a importância e a potencialidade destes estudos ainda são desconhecidas para muitos dos arqueólogos mais velhos que entraram na zona de conforto deles e se recusam a aprender novas abordagens científicas.
Sobre classificar os líticos em “tradições” arqueológicas, isso também foi feito no século passado, e alguns ainda o fazem. Mas essa classificação só é realizada baseada puramente nas formas dos artefatos. Pouco te sido falado sobre sua tecnologia até recentemente. E infelizmente muitos arqueólogos se recusam a aceitar a importância desses tipos de estudo. Não que eu ache que não seja possível identificar diferentes tradições culturais no Brasil através da análise de indústrias líticas (o olduvaiense, Acheulense, mousteriense e todas as demais indústrias do paleolítico superior da Europa são bem aceitas). Só acho que falta um belo embasamento teórico por parte de alguns. Faço minhas as palavras do pai da arqueologia experimental, Don Crabtree, quando ele dizia que: Infelizmente, no passado, arqueólogos super-enfatizavam as medidas, contornos e formas dos artefatos, e subestimavam as técnicas de produção. Ele fez essa crítica sobre os arqueólogos que faziam isso no passado, sendo que ele escreveu isso no ano de 1973! Eu imagino que cada vez que um arqueólogo fala em tradições baseado apenas em características superficiais Don Crabtree deve se revirar no túmulo.
O que todos os arqueólogos devem entender é que existem inúmeras maneiras de se produzir um mesmo artefato. Existem artefatos iguais, e até mesmo representações rupestres, que são quase idênticos em diversas partes do mundo, e em diferentes milênios. Mas as técnicas de produção são quase sempre diferentes. Um mesmo artefato pode surgir em diferentes contextos dependendo da necessidade de sua existência por uma sociedade. A técnica, por outro lado, é que é passada de geração em geração, mantendo-se uma tradição cultural de “como produzir um artefato específico”.
Por fim, um arqueólogo que insiste em subestimar o poder de análise de indústrias líticas, assim como quem insiste em viver classificando artefatos em tradições pré-definidas por características superficiais, é um arqueólogo ultrapassado, que deixou de acompanhar os avanços da ciência.
Sobre os líticos brasileiros não serem interessantes... bem... isso parece uma crítica infundada de alguém que só ouve falar nos excelentes trabalhos realizados na Europa. Contudo, já existiram, e ainda existem, muitos arqueólogos europeus trabalhando no Brasil, uma vez que as indústrias líticas do Brasil tem fornecido informações inéditas a nível global. Mesmo quem é de fora reconhece a potencialidade dos líticos brasileiros.
Podemos
identificar gênero a partir dos líticos? Em outras palavras, só homens lascaram
no passado ou esse também era uma atividade realizada por mulheres? É possível
chegar a esse nível de análise? Caso não por quê?
Eu acho impossível chegar a esse tipo de interpretação. Apesar do estereótipo do homem lascador advindo de diversos registros etnográficos, também já foi registrada a produção de artefatos líticos por grupos femininos. Por exemplo, em 2010 saiu um artigo da Kathryn Arthur na American Anthropologist sobre uma sociedade denominada Konso, na Etiópia, onde são as mulheres que produzem os artefatos líticos. Então, um estudo etnoarqueológico pode chegar a identificar o gênero, obviamente. Mas identificar gênero a partir apenas dos vestígios arqueológicos é quase impossível. Mesmo em esqueletos humanos esse tipo de identificação, em muitos casos, é impossível devido ao baixo grau de preservação dos ossos. E mesmo os estudos iconográficos beiram a hipótese.
É
possível dizer que uma sociedade estava “em um nível social mais complexo” a
partir dos instrumentos líticos?
Não digo que seja impossível. O conceito de complexidade ainda é muito relativo. Mas se pensarmos nos clássicos níveis de complexidade social, onde o menos complexo é a sociedade caçadora-coletora, e o mais complexo é a civilização, há de se pensar que estas diferentes sociedades realizam diferentes atividades. São diferentes maneiras de viver. Diferentes atividades refletem em diferentes artefatos para atender diferentes necessidades culturais.
Logo, analisando os instrumentos líticos, podemos identificar alguns tipos de necessidades que uma população buscou atender dentro do contexto em que ela se encontra. Mas em muitos casos, apenas o instrumental lítico não é suficiente. Precisamos de mais vestígios que nos apontem uma complexidade social.
Como
posso desvendar o “homem por trás da pedra”? Como o lítico pode me dar
informações sobre quem fez ele e sobre a sociedade em que este indivíduo vivia?
Acho que essa pergunta já foi respondida no decorrer da entrevista. Mas vamos falar mais um pouco sobre o “homem por trás da pedra”.
Chegar a identificar o indivíduo que produziu um artefato é praticamente impossível. Mas em alguns casos podemos identificar características particulares que apenas um exímio lascador poderia produzir. Por exemplo, vamos supor que analisamos uma coleção de pontas de projétil provenientes de um único sítio arqueológico, e de um único período de ocupação. Nesta coleção, todas as pontas apresentam a mesma tecnologia, com pouca variação na forma final do instrumento. Contudo, 10% destas pontas apresentam uma caraterística que não altera em nada sua funcionalidade, mas apenas um exímio lascador conseguiria produzir esta característica. Há de se pensar que não são todos os lascadores do grupo que conseguiriam produzi-la. É uma hipótese válida, e é um fator que vem sendo identificado em alguns sítios paleolíticos mundo afora.
Falar sobre a sociedade em que o lascador está inserido, isso o arqueólogo faz todo momento, independente da abordagem tomada sobre os líticos e qualquer outro vestígio arqueológico. Se não fizermos isso, não fazemos arqueologia.
Agora (sobre essa pergunta filosófica), num contexto arqueológico, quem é o “Homem por trás da pedra”? É o arqueólogo. O arqueólogo é o homem por trás de qualquer vestígio arqueológico. É ele quem identifica, interpreta, e cria teorias a partir destes vestígios.
O homem por trás da pedra é o arqueólogo!
Nossa que ótimo
João. Creio que essa entrevista realmente nos serve como uma forma de
desmistificação de vários pontos sobre lítico e por que não uma devida
valorização do tema como você disse não tão amplamente explorado ao longo da
história arqueológica no Brasil. A mim foi muito útil. Obrigado João pela
entrevista e saiba que o espaço continua aberto sobre qualquer coisa que queira
se manifestar. Gostaria de deixar um link aqui de seu site Arqueologia e Pré-história, realizado em conjunto com Marcia Jamille e Marina da Silva
Gratão. Além de seu canal no Youtube Arqueologia em Ação, feito com Marcia
Jamille também.
Vocês gostaram?
Não gostaram? Querem adicionar algo? Ou querem se informar melhor? Estaremos no
grupo do facebook discutindo esse artigo entre outras coisas. Nesse momento
além desse, por exemplo, estamos discutindo sobre o documentário Segredos da
Tribo. Apareça lá e participe. Nos ajude se inscrevendo aqui ao lado e
participando do nosso grupo no facebook.
Grupo do facebook: https://www.facebook.com/groups/paraarkeologos/
Grupo do facebook: https://www.facebook.com/groups/paraarkeologos/
Até a próxima.
Equipe Para
Arkeólogos
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Estamos de volta.
Olá galera. Como sugere o cartaz acima "I'm back" ou melhor dizendo we're back. Estamos com algumas novidades e creio que o maior delas é que agora o Para Arkeólogos está tentando se transformar em um grupo de trabalho. A ideia por trás deste grupo é poder trazer mais, com mais qualidade e com mais vozes. Trabalhar vários projetos de forma integrada e em diferentes pontos. O primeiro ponto é este que está na parte superior a direita, o botão do facebook (tárããã). Bom até ai nada de novo né, mas calma lá como sempre não basta só fazer um grupo, como é Para Arkeólgos tem de sempre ter algo a mais.
Neste grupo estaremos tentando manter algum diálogo entre as postagens que ocorrem aqui no blog e no mundo da Arqueologia. Lá será um espaço de debate constantemente alimentado pelos integrantes do grupo. A pessoa responsável por isso será o Sr. Gustavo Cabral Marins.
Nome:Gustavo Cabral Marins
Idade: 25 anos
Por que faz Arqueologia? Comecei a fazer Arqueologia depois que tive um interesse maior quando ainda fazia História. Terminei o curso de História e entrei com a cabeça livre para iniciar Arqueologia.
Qual a sua expectativa de participar do grupo Para Arkeólogos? A minha expectativa é que tenha um respaldo entre a comunidade acadêmica e a sociedade por esse meio virtual. Essas iniciativas são sempre legais, uma vez que a internet nos mobiliza para isso. Todo e qualquer início como esse, de uma virtualização, acharei sempre louvável.
Algumas das outras novidades estarão lá no facebook. Na verdade neste momento há um projeto relacionado a essas e outras atividades para quem se interessar é só ir lá e ler. Caso tenha interesse nos contate.
Domingo já começa nossa nova empreitada. Leia, Comente, Curta e Avalie. Queremos sua opinião e participação ela é de suma importância.
Equipe Para Arkeólogos
Grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/paraarkeologos/
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Grupo de Trabalho
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Algums mudanças... Esperem um pouco.
sábado, 7 de setembro de 2013
Iphan fará seleção para 163 vagas
Contratação será por tempo determinado.
Todas as vagas são de nível superior.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi
autorizado pelos Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão e da
Cultura a contratar 163 profissionais por tempo determinado para atender
à necessidade temporária de excepcional interesse público. A portaria
interministerial nº 305 foi publicada no “Diário Oficial da União” desta
quinta-feira (29).
Os profissionais serão contratados devido ao aumento transitório do volume de trabalho em função das ações demandadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento - PAC e pelo PAC Cidades Históricas.
A contratação dos profissionais deverá ser efetuada por meio de processo seletivo simplificado.
São 31 vagas para atividades técnicas de complexidade intelectual (graduação em qualquer área e experiência de 3 anos na área de logística, convênios e contratos do setor público), 80 vagas para atividades técnicas de complexidade gerencial e de engenharia sênior (graduação em arqueologia ou pós-graduação stricto-sensu em arqueologia ou com área de concentração em arqueologia reconhecida pela Capes, e experiência de 5 anos ou titulação de mestre ou doutor nessa área) e 52 vagas para atividades técnicas de complexidade gerencial e de engenharia sênior (graduação em arquitetura ou engenharia civil, e experiência de 5 anos ou titulação de mestre ou doutor nessas áreas).
O prazo de duração dos contratos deverá ser de até 1 ano, com possibilidade de prorrogação até o limite máximo de 5 anos, desde que a prorrogação seja devidamente justificada pelo Iphan. Decorrido o período de cinco anos a partir da divulgação do resultado final do processo seletivo, não mais poderão viger os contratos firmados com base na autorização da portaria.
Com vaga para GRADUANDOS EM ARQUEOLOGIA. Fiquem de olho!
Link:http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2013/08/iphan-fara-selecao-para-163-vagas.html
Os profissionais serão contratados devido ao aumento transitório do volume de trabalho em função das ações demandadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento - PAC e pelo PAC Cidades Históricas.
A contratação dos profissionais deverá ser efetuada por meio de processo seletivo simplificado.
São 31 vagas para atividades técnicas de complexidade intelectual (graduação em qualquer área e experiência de 3 anos na área de logística, convênios e contratos do setor público), 80 vagas para atividades técnicas de complexidade gerencial e de engenharia sênior (graduação em arqueologia ou pós-graduação stricto-sensu em arqueologia ou com área de concentração em arqueologia reconhecida pela Capes, e experiência de 5 anos ou titulação de mestre ou doutor nessa área) e 52 vagas para atividades técnicas de complexidade gerencial e de engenharia sênior (graduação em arquitetura ou engenharia civil, e experiência de 5 anos ou titulação de mestre ou doutor nessas áreas).
O prazo de duração dos contratos deverá ser de até 1 ano, com possibilidade de prorrogação até o limite máximo de 5 anos, desde que a prorrogação seja devidamente justificada pelo Iphan. Decorrido o período de cinco anos a partir da divulgação do resultado final do processo seletivo, não mais poderão viger os contratos firmados com base na autorização da portaria.
Com vaga para GRADUANDOS EM ARQUEOLOGIA. Fiquem de olho!
Link:http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2013/08/iphan-fara-selecao-para-163-vagas.html
Peças arqueológicas que eram vendidas pela internet são apreendidas pelo MP
Os materiais, que pela lei brasileira são bens protegidos, foram recuperados durante investigação que começou em 2012
Estado de Minas
Publicação: 06/09/2013 17:48 Atualização:
| Duas pessoas foram detidas por colocar os materiais à venda |
O primeiro objeto encontrado foi o soquete de pedra, denominado de “mão de pilão”, que foi colocado à venda por um cidadão no Sul de Minas. Em maio deste ano, o responsável do anúncio foi preso em cumprimento de mandado expedido pela Promotoria de Justiça de Três Pontas. O documento foi cumprido pela Polícia Militar (PM).
Dando continuidade à investigação, que começou em 2012, o MP recebeu uma denúncia feita pela Sociedade de Arqueologia Brasileira e pelo Centro Nacional de Arqueologia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), de que um morador do Alto Paranaíba oferecia um machado pré-histórico fabricado em pedra pela internet.
O responsável pelo anúncio foi identificado pela Promotoria de Combate aos Crimes Cibernéticos e preso pela Polícia Civil. O machado, confeccionado em pedra polida, tem 20 centímetros de comprimento. Os dois objetos foram encaminhados para a UFMG onde passarão por perícia de autenticidade.
As duas pessoas detidas irão responder pelo crime de receptação qualificada. Caso sejam condenados, podem pegar de três a oito anos de reclusão, e podem ter que pagar multa.
Link:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/09/06/interna_gerais,446278/pecas-arqueologicas-que-eram-vendidas-pela-internet-sao-apreendidas-pelo-mp.shtml
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Acervo arqueológico de Palmela disponível nas galerias do Castelo
As galerias municipais no Castelo de Palmela têm disponível à consulta pela população o acervo arqueológico do município que estava na posse do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal e arquivo municipal de Palmela. Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela, esclarece que a reabertura das Galerias da Praça de Armas dignifica o “trabalho arqueológico que tem sido feito no concelho e que não era visível ao público”.
“A arqueologia só tem
valor quando é tornada pública”, prossegue a edil palmelense. Dentro das
galerias municipais pode-se ter a perspetiva do que era o concelho desde a pré-história,
possuindo material de escavações efetuadas em todas as freguesias. Artefactos
do Povoado Fortificado de Chibanes, das Grutas Artificiais da Quinta do Anjo e
a própria Carta Arqueológica de Palmela estão disponíveis ao público, bem como
as várias fases de ocupação do castelo e um espaço dedicado à vida neste local.
A par da reabertura do espaço arqueológico do museu de
Palmela, as obras de consolidação da Casa Capelo estão finalizadas, o que
representou um esforço financeiro de cerca de 400 mil euros. “É necessária ainda uma reformulação mais
profunda no interior do edifício”. Ana Teresa Vicente afirma que a câmara
municipal tem de possuir ajudas exteriores para prosseguir com o plano de
recuperação e animação do castelo.
“O próximo programa
de financiamento comunitário deve ser aproveitado para obras como uma intervenção
mais profunda dentro da Casa Capelo”, frisa a presidente da Câmara
Municipal de Palmela, acrescentando ser “muito
difícil para a autarquia avançar sozinha com as várias intervenções”. Para
um futuro próximo está agendada a abertura de um bar nas imediações do castelo,
já em fase de atribuição da concessão.
Link:http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=20242
Link:http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=20242
Arqueologia – Simpósio divulga descobertas de pesquisas
Arqueologia – Simpósio divulga descobertas de pesquisas
Da
esq. p/ dir., a antropóloga e documentarista Delvair Montagner, o
professor Adilson José Francisco, a arqueóloga Águeda Vilhena, e o
professor e arqueólogo Denis Vialou: divulgação dos resultados das
pesquisas na Cidade de Pedra
O município de Rondonópolis sedia, desde
a noite de ontem (04/09), o I Simpósio Internacional de Arqueologia e a
18ª Semana de História. Estão sendo divulgados os resultados dos 30
anos de pesquisas arqueológicas na região da Cidade de Pedra, em
Rondonópolis. Uma das grandes novidades anunciadas no evento são achados
que indicam a presença humana na região em cerca de 10 mil anos atrás. O
evento é uma realização do Departamento de História do Campus de
Rondonópolis da UFMT, com a parceria do Museu do Homem de Paris (França)
e da Agropastoril Jotabasso.
As pesquisas na Cidade de Pedra são
realizadas pela Missão Franco Brasileira, composta por pesquisadores do
Museu Nacional de História Natural de Paris, do Museu de Arqueologia e
Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP) e de outras
instituições brasileiras e estrangeiras. No Simpósio, que ocorre em
grande parte no anfiteatro do campus da UFMT, participam pesquisadores
responsáveis pelas pesquisas, assim como estudantes de cursos de
graduação e pesquisadores das áreas afins.
Em virtude do Simpósio, o Jornal A
TRIBUNA recebeu ontem alguns pesquisadores participantes do evento. A
arqueóloga Águeda Vilhena, do Museu Nacional de História Natural de
Paris, o professor e arqueólogo Denis Vialou, também do Museu Nacional
de História Natural, o professor da UFMT Adilson José Francisco,
coordenador do evento, e a antropóloga e documentarista Delvair
Montagner falaram ao A TRIBUNA um pouco sobre os resultados dessas
pesquisas.
Conforme Águeda Vilhena, desde janeiro
de 1983, vem sendo feito um programa de pesquisa anual na região da
Cidade de Pedra, a partir de um chamado do proprietário da área, diante
de achados que indicavam a presença de povos pré-históricos. Desde 1984,
ela lembra que a parceria para as pesquisas na região vem sendo
estabelecida com a Universidade de São Paulo e o Museu Nacional de
História Natural de Paris, com resultados muito animadores.
Nesses 30 anos de pesquisas, a missão
franco-brasileira descobriu um total de 167 sítios arqueológicos, sendo
158 abrigos rupestres e 09 aldeias (ao ar livre), em uma área de
aproximadamente 300 km² da Cidade de Pedra. Águeda explica que sítio
arqueológico é um local onde indica a presença humana no passado. Na
região foram encontrados vestígios de povos pré-históricos como
artefatos de pedra, cerâmicas, artes rupestres e carvão fruto de
fogueira. Poucas ossadas humanas foram descobertas.
Águeda informa que em apenas 02 sítios
arqueolégicos da Cidade de Pedra foram encontradas ossadas humanas, as
quais estavam em pequenas urnas funerárias, em um enterro secundário,
onde há uma seleção dos ossos para o sepultamento. Ela explica que, até
então, as descobertas datavam vestígios da presença humana nessa região
entre 5 e 6 mil anos atrás. Contudo, atesta que essa região foi
intensamente ocupada ao longo dos rios entre 1 mil e 1,5 mil anos atrás.
Dessa forma, Águeda relata que a região
de Rondonópolis se integra na Pré-História Brasileira Antiga. Não foram
achados nenhum indício de contato desses povos pré-históricos da região
com colonizadores, sejam portugueses ou espanhóis. Ela observa que a
região da Cidade de Pedra foi favorecida para as pesquisas por estar em
uma área bem protegida. “Já era bem protegida pela natureza, ficou
protegida pelo proprietário e essa proteção foi reconhecida pelo
Estado”, diz, lembrando que se trata hoje de uma Reserva Particular do
Patrimônio Natural (RPPN).
A pesquisadora informou que, ao longo
desses anos, sempre houve uma parceria com a UFMT, para que os
estudantes pudessem ir até à Cidade de Pedra, a fim de aprender sobre as
pesquisas. Além disso, uma equipe da missão franco-brasileira costuma
promover anualmente uma noite de palestras e conferências junto à
comunidade acadêmica local. Ela não esqueceu de lembrar que a realização
do atual Simpósio surgiu do interesse da Agropastoril Jotabasso, onde
está situada a Cidade de Pedra, em promover um desfecho desses 30 anos
de pesquisas.
Ao longo desse período, Águeda destacou
que foram 400 pessoas diferentes e 900 presenças nos trabalhos de
pesquisas na Cidade de Pedra, com o patrocínio da Jotabasso.
Cidade de Pedra – Intenção é criar um museu com resultados de pesquisas
Vista
da Cidade de Pedra, em Rondonópolis, onde missão franco-brasileira
descobriu um total de 167 sítios arqueológicos. No detalhe, algumas
pinturas rupestres
Vista
da Cidade de Pedra, em Rondonópolis, onde missão franco-brasileira
descobriu um total de 167 sítios arqueológicos. No detalhe, algumas
pinturas rupestres
O professor Adilson José Francisco, coordenador do I Simpósio
Internacional de Arqueologia, destacou ao Jornal A TRIBUNA que um dos
propósitos desse evento é provocar a criação de um museu com qualidade
técnica em Rondonópolis, para que possa dar continuidade aos trabalhos
de pesquisas arqueológicas na Cidade de Pedra, bem como prestar um
trabalho educativo e turístico no município. Nesse sentido, destaca a
necessidade da ajuda do poder público para viabilizar esse projeto.
Em relação às pesquisas realizadas na região da Cidade de Pedra, o
professor e arqueólogo Denis Vialou, do Museu Nacional de História
Natural de Paris, atesta que foram tantos os resultados arqueológicos,
em um sentido amplo, contribuindo para a formação de um conhecimento bem
detalhado do povoamento milenar da região de Rondonópolis. “Não é
qualquer lugar no Mundo que possui uma pré-história tão intensa e tão
antiga. É uma riqueza patrimonial e científica para essa região de
Rondonópolis e Mato Grosso”, avalia.
Denis Vialou acrescenta que, após tantos anos de pesquisas, pode-se
dizer hoje como esses povos pré-históricos viviam na região. Ele explica
que essas pessoas viviam aproveitando intensamente o que a natureza da
localidade lhes oferecia. Os povos pré-históricos da região viviam da
pesca, da caça, das coletas, com conhecimentos aprimorados da natureza.
“Vamos ver que esses homens pré-históricos não eram selvagens, mas
tinham uma formação social e econômica, deixando testemunhos de um alto
nível de pensamento e organização simbólica, como exemplificadas nas
pinturas deixadas nas rochas”, externa.
O arqueólogo testemunha o grau de evolução desses povos pré-históricos
da região com os exemplos de utensílios usados por eles, como as pedras
lascadas e polidas. Nesse contexto, as formações rochosas da região eram
meio abundante para essa produção. A partir dos estudos do carvão usado
para fogueiras por essas pessoas, ele explica que constata-se que a
vegetação de cerca de 5 mil anos atrás é a mesma que ocupa a região
hoje. Os estudos indicam, por conseguinte, que esses grupos conheciam as
espécies de madeiras mais próprias para uma melhor combustão. “A
natureza da região produziu para eles uma economia de vida maravilhosa”,
diz.
Conforme Denis Vialou, é importante notar também as particularidades dos
grupos que habitavam cada microbacia naquela época. Assim como cada
cidade hoje se difere das demais, apesar de semelhanças, o pesquisador
atesta que nenhuma microbacia se parecia com outra. De uma microbacia
para outra, mudavam-se, por exemplo, os símbolos gráficos, evidenciando
que cada grupo tinha sua própria organização simbólica.
A antropóloga e documentarista Delvair Montagner dirigiu 02
documentários sobre as pesquisas da missão na Cidade de Pedra. Esses
dois filmes serão apresentados na tarde de hoje, durante o Simpósio.
Amanhã (06), o evento desloca-se do campus de Rondonópolis para uma visita técnica aos sítios arqueológicos e áreas de pesquisas na Fazenda Verde, onde está a Cidade de Pedra.
Amanhã (06), o evento desloca-se do campus de Rondonópolis para uma visita técnica aos sítios arqueológicos e áreas de pesquisas na Fazenda Verde, onde está a Cidade de Pedra.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Aos moldes da Misteriosa Arqueologia Pública...
Quero hoje dividir com
vocês um trabalho que participei de Arqueologia Pública feito no
Colégio Aplicação em São Cristóvão, SE. A ideia desse post não
é só informar do trabalho que participei, caso fosse queridos não
seria Para Arkeólogos, minha intenção é dividir com vocês como
se deu esse trabalho, para que vocês possam ter uma base de
trabalhos dessa natureza; quem contatar e principalmente espalhar a
palavra. Então antes de tudo vamos começar pela história.
Há essa colega/vizinha/amiga/orientadora/... chamada Fernanda Simões que é do Mestrado de Arqueologia aqui em Sergipe. E ela convidou a mim e minha mulher (que também estuda Arqueologia) para participar de um trabalho de Arqueologia Pública realizado pelo Museu de Arqueologia de Xingó (MAX). O trabalho seria o seguinte: nós iriamos ao colégio acima citado e faríamos uma apresentação sobre o que é Arqueologia, suas áreas (ao menos aqueles que achamos de maior relevância) e falamos em especial sobre pré-história, já que esse é um tema de interesse, e que normalmente há uma defasagem no ensino e que nós como arqueólogos dominamos este assunto um pouco melhor que por exemplo um professor de história em sua maioria (estou generalizando aqui).
A IDEIA
Antes de realizar a
apresentação debatemos sobre como seria esta. Primeiramente
Fernanda já havia realizado ações educativas antes com Luiz Felipe
Freire, outro ex-aluno aqui de Sergipe em seu grupo de Arqueologia
Pública da faculdade, e já tinha um material pronto. Discutimos a
faixa etária em questão seria o sexto ano (antiga quinta série) o
que era ideal por que no primeiro semestre eles começam antes de
adentrar na história a estudar pré-história. O ideal era falar com
eles com uma linguagem um pouco mais científica e por tanto mais
madura, porém sem perder a irreverência caso contrário perderíamos
o publico também. Outra coisa que ficou clara é que ao nos
referirmos aos grupos indígenas usamos o termo “nossos ancestrais”
(ex: nossos ancestrais indígenas é que produziram essas maravilhas
que vocês estão vendo.) numa demonstração clara da valorização
destes e de grupos presentes na nossa sociedade. Creio que acima de
tudo nosso ideal era desmistificar várias ideias, ou melhor,
esclarecer o que é, do que se trabalha, como vive o arqueólogo e assuntos
relacionados a Arqueologia e pré-história.
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| Foto Cortesia do MAX. |
O MATERIAL E AS
IMPRESSÕES
Como era esse material?
Bom... Ele começa com
uma pergunta: O que é Arqueologia? A ideia era fazer a criançada
pensar um pouco e claro vinham respostas como dinossauros, aventuras,
que cercam o imaginário de várias pessoas. E para nossa surpresa
algumas poucas sabiam o que era e conseguiram colocar isso de forma
bem clara em especial uma menina de óculos brancos a nossa direita.
Dai mostramos algumas figuras que continham diversos aspectos clichés
sobre nossa profissão personagens de filmes, games, animação,
dinossauros etc. Seguida da seguinte frase “Isto não é
Arqueologia” partindo para explicar o que é Arqueologia. Deixar
claro que eles eram ótimos a reação deles era muito boa. Era como
se finalmente algumas das coisas que estavam sendo ensinadas em aula
fizessem sentido a partir deste ponto.
Começamos a falar como trabalha o arqueólogo, onde trabalha. Falamos também
sobre a divisão de pré-história e história aqui no Brasil a
partir de uma perspectiva mais clássica do assunto. E sobre
Arqueologia Brasileira. Das diversas áreas da Arqueologia como;
Arqueologia Pré-Histórica, Histórica, Ambientes Aquáticos (grande
interesse em como se escreve em baixo d'água), da Arquitetura,
Bioarqueologia (falamos de Luzia o que intrigou muito a eles), Arte
Rupestre e Sambaqui. Depois passamos a mostrar sobre trabalhos
realizado em Sergipe numa ideia de reconhecimento de como tudo o que
eles estão vendo na apresentação também acontece onde eles moram.
No final Fernanda
lascou uma “pedra” na frente deles e mostramos alguns líticos
produzidos numa oficina de líticos realizada em Laranjeiras no
intuito de mostrar algo mais prático para eles.
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| Foto Cortesia MAX |
APRESENTAÇÃO E MAIS
IDEIAS
Tudo na apresentação
tinha como foco interessar, estimular e principalmente desmistificar
algumas visões que as pessoas tem sobre Arqueologia e Sociedade sem
necessariamente falarmos disso. Então a linguagem tinha que ser
apropriada, não podia ser algo chato nem com cara de “Blues Clues
ou Teletubbies”. Afinal o publico é infantojuvenil então todo
cuidado é pouco. Tudo foi bem dinâmico e tudo que perguntávamos
eles responderam. Também exploramos muitos exemplos visuais na
apresentação pouco texto até para explicar alguma coisa usamos
muito “vamos imaginar...” para que tudo ficasse bem claro e não
houvesse sombra de dúvidas a eles.
A M.I.S.S.Ã.O.
O post está aqui para
poder trocar uma ideia com vocês, mas principalmente demonstrar como
que com boa vontade e recursos quase zero qualquer aluno ou grupo de
alunos, profissionais, podem fazer um trabalho desses, só é necessário boa vontade e um
pouco de “cara de pau”. Lembrem-se que, se nós nos incomodamos
com certas visões que as pessoas tem sobre a Arqueologia é
responsabilidade nossa educar a população sobre o assunto. Somente
a partir de medidas educativas, principalmente as que mexem com a
base é que mudaremos certas perspectivas e panoramas aqui no Brasil.
Não podemos deixar esse papel único e exclusivamente para as mídias
de grandes massas que em sua parte muitas vezes também não entende
muito sobre o assunto.
Ao afinal tivemos uma
reunião com Geovânia Carvalho a coordenadora da parte pedagógica do MAX e fomos convidados para o nosso
próximo desafio. Fazer uma feira sobre Arqueologia em um Colégio
Público. Assim que acontecer postarei está experiência para que
vocês possam tentar realizar com o seu grupo. E por favor se você
tiver alguma ideia crítica ou quiser dividir alguma experiência com
a gente nos escreva para paraarkeologos@gmail.com
Algumas palavras sobre
Arqueologia Publica e sua importância por Fernanda Simões.
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| Cortesia Fernanda Simões. |
Agradeço o espaço fornecido pelo Thobias e
inicio minha fala declarando que não acompanho as discussões
acadêmicas recentes sobre Arqueologia Pública e como não venho de
uma formação em licenciatura meus comentários podem soar
desatualizados para os entusiastas desse viés da Academia.
Entretanto, minha contribuição vem dos trabalhos práticos que
realizei através do Grupo de Arqueologia Pública (criado por alunos
da UFS em 2011) e na Ação Educativa do MAX, nesse episódio
específico.
Para entender as problemáticas que envolvem a
realização de uma Arqueologia Pública é necessário relembrar o
contexto das exigências que o Governo faz aos Arqueólogos, onde a
Portaria 007/88 exige que utilizemos o material produzido de uma
pesquisa arqueológica para “fins científicos, culturais e
educacionais”. Alguns arqueólogos que trabalham com o
licenciamento ambiental devem seguir as normas do IPHAN e realizam
pequenas atividades de Educação Patrimonial em diferentes grupos
(escolas, associação de moradores, sindicatos, igrejas, etc.).
Essas atividades de Educação Patrimonial são resumidas em
palestras curtas e pontuais, com o único objetivo de atender as
exigências legais.
Nesse ponto vemos a diferença da Arqueologia
Pública e da Educação Patrimonial realizada no Brasil. A Educação
Patrimonial realizada em contextos de Arqueologia Preventiva tende a
ser pontual, curta, superficial, imposta e surda. Alguns
pesquisadores até questionam o uso do termo “educação” para as
atividades ligadas a Arqueologia, pois remete a uma relação entre
um indivíduo que detém o conhecimento e outro indivíduo que não o
possui.
Ao lidar com Patrimônio Cultural, assumir que
qualquer grupo tenha conhecimento nulo sobre a temática é absurdo!
É a mesma coisa que dizer que uma pessoa de fora saberá mais sobre
uma determinada região do que os próprios moradores, ou seja,
podemos considerar essa abordagem como colonialista.
Então, a pesquisa de um arqueólogo não tem
validade, já que o morador de uma área sabe mais sobre ela do que o
pesquisador de fora? Não é isso, nem 8 nem 80! Os arqueólogos
estudaram para interpretar as sociedades através da cultura material
em diferentes contextos e as pessoas que estão inseridas nesses
contextos possuem muito conhecimento que virá a construir essa
interpretação. Cabe ao arqueólogo ser o responsável por
selecionar os discursos para a interpretação do contexto. Assume
então a perspectiva de mediador e não de professor.
A Arqueologia Pública traz sua contribuição em
atividades expansivas, questionadoras, reflexivas, sustentáveis,
etc. O principal ponto está em dialogar com os discursos produzidos
por determinado grupo na construção interpretativa.
Para realizar um trabalho de Arqueologia Pública
é necessário estabelecer os meios de comunicação entre o
pesquisador e a comunidade. Esses meios de comunicação são
extremamente variados, podendo ir desde inclusão de pessoas da
comunidade nas atividades realizadas, entrevistas, etc. Nesse caso
específico, a Ação Educativa proposta pelo MAX surge como etapa
inicial para realizar uma Arqueologia Pública, onde toda a Ação
foi orientada pelo feedback dos alunos de acordo com os inúmeros
questionamentos que recebiam.
As atividades realizadas no Colégio Aplicação
basearam-se principalmente em duas propostas: (1) entender que o
conhecimento que o público-alvo já possui é válido e necessário;
(2) refletir sobre os preconceitos associados a Arqueologia e a
Pré-história.
Os preconceitos foram trabalhados por toda a ação,
desde a diferenciação entre Arqueologia e Paleontologia até uma
discussão sobre “quem confeccionava as ferramentas de pedra na
pré-história, homens ou mulheres?” A resposta foi quase unânime:
Homens.
Essa resposta veio acompanhada de muita surpresa
ao me presenciarem retirar uma lasca de sílex no momento. Aos
leitores que não sabiam disso, eu declaro: Sim, mulheres também
podem fazer ferramentas líticas! Ao fundo passávamos um vídeo com
colegas da UFS realizando lascamento experimental (as pessoas no
vídeo eram Virgílio Júnior, Íris Marques, Fábio Telles, Pedro
Leonardo Almeida, Luis Felipe Freire e eu).
Como as ações educativas do MAX correspondem a
uma nova proposta de se trabalhar Arqueologia e Sociedade, realizamos
o primeiro passo ao estabelecer uma linguagem comum entre arqueólogos
e público-alvo. Esse primeiro passo será disseminado entre
diferentes públicos e então partiremos para a etapa seguinte: a
organização de uma feira de Arqueologia.
Contamos com a sugestão de todos nessa nova
empreitada.
Fernanda Simões.
FIM
Obrigado você Fernanda. Acho que mesmo não acompanhando tais discussões creio que qualquer um pode concordar com muito do que foi dito. Então gente espero que tenham gostando de mais essa. Parabéns Fernanda pelo excelente trabalho saiba que aqui no Para Arkeólogos você sempre tem espaço garantido.
Valeu galera! Agora mãos a obra.
Para Arkeólogos
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